As artérias carótidas são vasos de grande calibre localizados no pescoço e responsáveis por levar sangue ao cérebro. Quando ocorre o estreitamento dessas artérias — condição chamada estenose carotídea — o fluxo sanguíneo pode ser comprometido, aumentando significativamente o risco de Acidente Vascular Cerebral.

Na maioria dos casos, esse estreitamento acontece devido ao acúmulo de placas de gordura e cálcio na parede das artérias, um processo chamado aterosclerose. Muitas pessoas não apresentam sintomas até fases avançadas, o que torna o diagnóstico precoce fundamental. Exames como ultrassom Doppler, angiotomografia e angiografia ajudam a identificar a gravidade da obstrução e orientar o melhor tratamento.

Quando o tratamento é indicado?

O tratamento é indicado principalmente quando há obstruções importantes, especialmente em pacientes que já apresentaram sintomas como tontura, perda transitória da visão, dificuldade para falar ou episódios isquêmicos transitórios. O principal objetivo é reduzir o risco de AVC e preservar a circulação cerebral.

Quais são as opções de tratamento?

Existem três principais abordagens, definidas conforme o grau de obstrução, sintomas e condições clínicas do paciente:

1. Tratamento clínico

Nos casos iniciais, pode incluir controle rigoroso da pressão arterial, colesterol, diabetes, interrupção do tabagismo e uso de medicamentos como antiplaquetários e estatinas.

2. Cirurgia convencional (endarterectomia carotídea)

A endarterectomia carotídea consiste na remoção cirúrgica da placa que obstrui a artéria. É um procedimento tradicional e amplamente utilizado em casos selecionados.

3. Tratamento endovascular (angioplastia com stent)

A angioplastia de carótida com stent é uma técnica minimamente invasiva realizada por punção, geralmente pela artéria femoral ou radial. Um cateter é conduzido até a carótida e um stent é implantado para restaurar o fluxo sanguíneo. Essa abordagem pode ser especialmente indicada para pacientes com maior risco cirúrgico ou anatomias específicas.

O papel da radiologia intervencionista

A radiologia intervencionista tem ampliado as possibilidades de tratamento da doença carotídea ao oferecer procedimentos menos invasivos, com recuperação mais rápida e menor tempo de internação em casos bem indicados. O planejamento individualizado é essencial, considerando idade, sintomas, grau da estenose e histórico clínico do paciente.

Diagnóstico precoce faz diferença

Muitas doenças das carótidas evoluem silenciosamente. Por isso, pacientes com histórico de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo ou antecedentes de AVC na família devem realizar avaliação vascular periódica. O diagnóstico precoce pode evitar complicações graves e permitir tratamentos mais seguros e eficazes.